
“meu contato com a fotografia começou em casa, cedo. /privilégio, reconheço/ crescer com acesso à cultura, no brasil, não é a realidade de muitos. aos 8 anos, ter uma yashica automática nas mãos, como brinquedo, com considerável quantidade de filmes à disposição. tirava foto do quintal era tão verde, da televisão - atores de malhação e aberturas de novelas me interessavam, coisas da minha vida acontecendo. meus pais comentavam quando chegava o álbum revelado... era mt bom.
o interesse foi amadurecendo junto com a chegada do digital. lembro quando peguei uma cybershot nas mãos pela primeira vez. devia ter uns 8 anos or something, foi na festa de um amigo do meu pai. alguém apareceu com ela lá e me deixou fotografar, à vontade and all night long. não havia mais limite, 24 ou 36 poses? era um memorystick que cabia quase o tanto de possibilidades que minha mente podia processar. ali, me lambuzei e não foi de doce. além dos clicks da camêra, algum outro também foi dado dentro de mim.
e foi indo. e não demorou mt para eu ter minhas próprias câmeras /more privileges, i know/. embora tivesse muito carinho, em pouco tempo, quebrava todas. é que usava, e quando se usa algo, mesmo com zelo, são maiores as chances de lesão. e é isso, tem q usar mesmo. levava a câmera pra escola, junto com diskman, achava o máximo. na época, a gente msm grava nossos próprios CD’s, tudo baixado da internet. computador desktop surgindo, celular ainda não. anos 2000, que fase.
mais pra frente, na graduação, estudei jornalismo. novos estímulos, experiências e maneiras de ver o mundo /sim, mais privilégio/. e ali, conheci um lord em forma de professor de fotografia. juro, parecia saído de algum café ou bar, de algum bairro cool de paris. ele me introduziu a fotografia documental num preto&branco lindo, uma coisa meio cartier-bresson de quem conhece o bom da vida, um luxo. seguindo sua indicação, fui ver robert doisneau em uma exposição, de graça, no centro (do rio). eu acredito muito que são em dias comuns que pequenos momentos mudam vidas. vou explicar. pra mim, a mudança de uma vida tá no sútil, no se abrir a um novo ponto de vista sobre alguma coisa. acho que esse dia, foi isso pra mim.
sempre e de diferentes formas, a fotografia esteve presente na minha vida. nos registros involuntários do cotidiano - quando vi, já tinha acontecido. ou em fotos simples da rotina - na minha opinião, uma das mais confiáveis, e confortáveis, formas de registrar instantes, momentos e fases da vida. intuitivamente, acabei desvendando o universo da edição, e suas quase infinitas possibilidades. ao longo da prática, fui entendendo melhor minha linguagem... que foi mudando, junto comigo.
há algum tempo (não muito), fiz as pazes com minha minha escrita. aceitei que as palavras no papel sempre foram uma das minhas principais formas de me expressar - grande parte através de manuscritos inclusive. e falando em manus, recentemente também, venho retornando ao desenho (ou rabisco), que tinha deixado de lado, desde a infância. o uso das mãos me trouxe uma outra relação com o objeto, e ensinamentos valiosos sobre perfeccionismo, assimetria e ao tempo das coisas. com isso, passei a incorporar também práticas vindas da artesania nessa nova fase de produção. no conceitual, os caminhos seguiram um curso próprio, mais pra dentro - coberturas mais íntimas de alguns dos meus próprios processos, experiências e emoções. um mergulho no joao profundo, deep joao. hope you like it, feel free to enjoy me.
esse aqui, é um que acredito o artista é a criança que sobreviveu?
brincando agr com coisas mais de adulto oou god

first of all and para empezar
antes desse joaoladob
vem joão, o victor
e com ele, others
lados and sides
o b, o c, o d e o é, o erre
como diz meu pai, e por aí vai...