

diz que é importante ter um statement, mas você sabe o que seria um?
nem todo mundo sabe. statement é uma declaração em que o artista explica
o porquê das suas obras, o que faz, como faz e, com qual motivação, de dentro.
custa escrever pois exige uma clareza sobre algo que, muitas vezes,
nasce da intuição ou da emoção. escrever um statement nos obriga a traduzir processos sensíveis em palavras concretas, o essencial que nos move.
recomenda-se que seja na 3a pessoa, pois é. baixo, a última versão do meu...
joaoladob é um perfil artístico que se utiliza de imagens como base principal para seus trabalhos.
dentro da imagem, a fotografia, e dentro da fotografia, o documental... então, documentar seria o verbo.
após os registros, vem o tratamento desse conteúdo que segue diferentes caminhos experimentais
e cruzam campos do expandido, da edição e de intervenções variadas, físicas e digitais.
são retratados temas do cotidiano, do que é visto no outro e em si, a partir da abertura do próprio acervo pessoal.
há uma construção narrativa que assume a função norteadora de linha guia entre as imagens e a informação.
os projetos, em sua grande maioria, são pensados para o formato impresso de publicação de artista, porém
acabam fragmentados em versões menores e desatadas, através de outros suportes expositivos individuais.
esse aqui, é um que acredito o artista é a criança que sobreviveu?
brincando agr com coisas mais de adulto oou god
passado statement, talvez consiga, quem sabe, me apresentar, de outra forma, pra quem tiver cabeça de ler and timepo, hj em dia cada vez mais raro, eu sei, e é isso, feel free é mt janela open
first of all and para empezar
antes desse joaoladob
vem joão, o victor
e com ele, others
lados and sides
o b, o c, o d e o é, o erre
como diz meu pai, e por aí vai...
“meu contato com a fotografia começou em casa, cedo. /privilégio, reconheço/ crescer com acesso à cultura, no brasil, não é a realidade de muitos. aos 8 anos, ter uma yashica automática nas mãos, como brinquedo, com considerável quantidade de filmes à disposição. tirava foto do quintal era tão verde, da televisão - atores de malhação e aberturas de novelas me interessavam, coisas da minha vida acontecendo. meus pais comentavam quando chegava o álbum revelado... era mt bom.
o interesse foi amadurecendo junto com a chegada do digital. lembro quando peguei uma cybershot nas mãos pela primeira vez. devia ter uns 8 anos or something, foi na festa de um amigo do meu pai. alguém apareceu com ela lá e me deixou fotografar, à vontade and all night long. não havia mais limite, 24 ou 36 poses? era um memorystick que cabia quase o tanto de possibilidades que minha mente podia processar. ali, me lambuzei e não foi de doce. além dos clicks da camêra, algum outro também foi dado dentro de mim.
e foi indo. e não demorou mt para eu ter minhas próprias câmeras /privileges, i know. embora tivesse muito carinho, em pouco tempo, quebrava todas. é que usava, e quando se usa algo, mesmo com zelo, são maiores as chances de lesão. e é isso and that´s it. levava a câmera pra escola, junto com meu diskman, achava o máximo. na época, a gente msm grava nossos próprios CD’s, tudo baixado da internet. computador desktop bombando, celular ainda não. anos 2000, que fase.
mais pra frente, na graduação, estudei jornalismo. novos estímulos e maneiras de ver o mundo. faculdade /outro privilégio. e ali, conheci um lord em forma de professor de fotografia. juro, parecia saído de algum café ou bar, de algum bairro cool de paris. ele me introduziu a fotografia documental num preto&branco lindo, uma coisa meio cartier-bresson de quem conhece o bom da vida, um luxo. seguindo sua indicação, fui ver robert doisneau em uma exposição, de graça, no centro do rio (o de janeiro, cidade). eu acredito muito que são em dias comuns que pequenos momentos mudam vidas. vou explicar. pra mim, a mudança de uma vida tá no sutil, no se abrir a um novo ponto de vista sobre alguma coisa. acho que esse dia, foi isso pra mim.
sempre e de diferentes formas, a fotografia esteve presente na minha vida. nos registros involuntários do cotidiano - quando via, já tinha rolado. ou em fotos simples, da rotina também simples - na minha opinião, é uma das mais confiáveis, e confortáveis, formas de registrar instantes, momentos e fases da vida. intuitivamente, acabei desvendando o universo da edição, e suas quase infinitas possibilidades. ao longo da prática, fui entendendo melhor minha linguagem... que também foi mudando, junto comigo.
há algum tempo (não muito), fiz as pazes com minha minha escrita. aceitei que as palavras no papel sempre foram uma das minhas principais formas de me expressar - grande parte através de manuscritos inclusive. e falando em manus, recentemente também, retornei ao desenho (ou rabisco), que tinha deixado mais de lado, desde a infância. o uso das mãos me trouxe uma outra relação com o objeto, e ensinamentos valiosos sobre perfeccionismo, simetria e ao tempo das coisas. com isso, passei a incorporar também outras práticas vindas das artesanias nessa nova fase de produção. e no conceitual, os caminhos seguiram um curso próprio, mais pra dentro - coberturas mais íntimas, de alguns dos meus próprios processos, experiências e emoções. um mergulho no joão profundo, deep joão. hope you like it, feel free to enjoy me.
