
[versão reduzida]
Seu Antônio, o botinho
Um senhor vindo em minha direção, ainda não era 7 da manhã... depois entendi. Seu Antônio é algo como a liderança para a comunidade do Igapó-Açu, interior do Amazonas. Me sentei sem pressa para ouvi-lo falar sobre a natureza e o hábito que ainda preserva de se banhar diariamente nas águas daquele rio, sobre a falta que até hoje sente de seus pais e sobre o parto de dois botos que ajudou a realizar. Alguns minutos depois e estava dentro do rio com ele.




Ainda dentro do rio, Seu Antônio, também chamado de Botinho, batia a palma da mão na água fazendo barulhos sequenciados que nutriam minha esperança de ver pelo menos um de seus filhotes. Contrastava um cansaço justo e coerente à idade com certa jovialidade. Bonita a forma como se mostrava aberto aos prazeres das coisas simples da natureza, ao mesmo tempo que administrava, já sem muita paciência, algumas burocracias da vida terrena.
Até que me chamou a atenção um barulho vindo do rio...




Rio Igapó-Açu que dá nome à comunidade.




Seu Antônio é do tipo que não para muito para esperar.
Sai andando, falando e interagindo. Um bombardeio de informações e uma espécia boa de pressa pra se viver.



Testemunhar a forma com que Seu Antônio se relaciona com a natureza, talvez tenha sido a materialização mais próxima de uma das minhas melhores utopias. Um respeito meio profano, livre de pudores ou castidades. Se relacionar a partir da verdadeira concepção de troca - dar, receber e usufruir, com responsabilidade e sem culpa.


