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[versão reduzida]

Lia e a cobra

Essa cobra surgiu em um igarapé, no interior da Amazônia, no meio das crianças que brincavam em uma manhã de sábado. Os curumins, sem saberem ao certo o que faziam, tomados por uma espécie de  frenesi, provocavam a pobre jiboia. Nitidamente acuada, fugiu da gritaria e sumiu pelas águas.   

Lia já vinha de uma relação interna com trocas de pele e tantos simbolismos desse animal exótico e tão pouco compreendido. Para muitos, encontros com seres selvagens assim são oportunidades de conexão com o sagrado da natureza. Ali, em um ambiente calmo e reservado, na verdadeira mata, se deu o encontro e, respeitosamente, ela se aproximou da cobra. 

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A cobra, um ser vivo, se movimentava pelo corpo de Lia, que, por sua vez, outro ser vivo, também se movimentava para mantê-la nele. Durante algum tempo, o que se viu ali foi uma dinâmica entre elas que mais parecia uma dança. 

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