
[versão reduzida]
Viagem à Maués
Maués é um destino exótico, não apenas pelo fato do único modo de chegar ser de barco (na teoria há também avião, embora caro). Não há estrada de acesso à cidade, tudo ou praticamente tudo chegou lá de barco. Também não existe nada depois de Maués ou rota de passagem para outro destino. Maués é ponto final, quem vai para Maués sabe e quer ir para Maués. A favor do rio e em boas condições, a ida leva aproximadamente 18 horas, a partir do porto de Manaus. Cada um leva a sua rede para dormir, amarra e se acomoda. É assim que funciona.



A noite cai junto com o sinal de celular e as luzes refletem a paisagem ainda urbana. O movimento do que acontece em terra firme, cada vez mais distante, vira cenário de fundo. Um convite para se desligar do mundo e pensar um pouco na vida...





Ao longo da madrugada rolam algumas paradas. Essa foi no porto de Itacoatiara. É tudo muito rápido, entra quem tem que entrar, sai quem tem que sair, algumas mercadorias e viagem que segue.

No seu tempo, o dia anuncia que pretende nascer. Os primeiros raios de sol ensaiam clarear a manhã, e, preguiçosa, a embarcação aos poucos começa a despertar. Bom momento para reparar nos pássaros que acordaram cedo e em alguns botos que saltam na frente do barco.







Ao longo do caminho, agora com a paisagem mais rural, fica claro o que o povo tanto fala sobre as cheias dos rios no norte. No verão amazônico, o nível da água sobe muito e inunda absolutamente tudo. As marcas ficam. É comum árvores com troncos mais escuros que relembram até onde a água já chegou um dia. As casas e construções flutuantes são construídas sob estruturas de madeira capazes de suportar, até certo ponto, a oscilação dos rios.


E quando menos se espera, chegamos...


