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Inauguração da estátua
em homenagem à Marielle Franco
27 de julho de 2022

Uma movimentação chamava certa atenção no final do que parecia uma tarde qualquer
de uma quarta-feira no centro do Rio.
A simples presença de agentes policiais já é suficiente para provocar certa tensão, mesmo que involuntária - ou um estranhamento, ainda que inconsciente.
O histórico de ações policiais envolvendo a comunidade negra é desastroso e alguns gatilhos são inevitavelmente acionados. Mas, desta vez, as forças de segurança pública estavam ali para ajudar e oferecer proteção ao evento.





Se tratava da inauguração de uma estátua de bronze, em tamanho real, de Marielle Franco. A vereadora e o motorista Anderson Gomes foram covardemente assassinados em março de 2018, também no centro do Rio, poucos quilômetros dali. O crime completou mais de 4 anos, com alguns indícios, suspeitos, porém sem qualquer resposta concreta a respeito da motivação ou mandantes. Marielle era e ainda é força, resistência e inspiração para tantas pessoas. Mulher lésbica, preta e periférica, que chegou à Câmara do Rio e atuou firme contra a milícia criminosa que se espalha como praga pela cidade. A data da inauguração da estátua coincidiu com o dia do seu aniversário - se estivesse viva Marielle teria completado 43 anos. O evento, carregado de simbolismos e emoção, reuniu família, amigos e uma legião de admiradores. Buraco do Lume foi o ponto escolhido, lugar onde tanta gente se conectou com Marielle, ao escutá-la discursar enquanto passava pela praça sempre movimentada. O evento foi, além de tudo, uma oportunidade para, coletivamente, aliviar um pouco da saudade e renovar forças para dar continuidade a sua luta. E diante de tudo isso, a estátua representar uma ferramenta documental para perpetuar seu legado, manter viva sua história e apresentá-la àsnovas gerações. #mariellepresente










Logo após sua morte, ainda em meio ao luto e a dor da perda, Anielle reuniu forças para dar continuidade ao trabalho da irmã e iniciar o que seria o Instituto Marielle Franco. Segundo a própria autodefinição,"uma organização sem fins lucrativos, criada pela família, com a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade por um mundo mais justo e igualitário". São várias as frentes de ação do Instituto que vai muito além de defender a memória de Marielle. O coletivo, dirigido por Anielle, busca germinar novas sementes de esperança em prol de um Brasil melhor.

Além da imprensa, o evento contou com parlamentares, ativistas e educadores,
a galera da esquerda que, mais uma vez, prestigiou o legado de Marielle.














E entender que falar sobre Marielle
é falar sobre todos nós...







Um espaço aberto para expressar sentimentos e se vestir de ideologias. Camisetas, adesivos, bandeiras e diferentes maneiras para usufruir a liberdade de se viver em democracia.





Ouvir uma mãe falar sobre a morte de um filho é sempre um momento delicado. Difícil até imaginar o tamanho dessa dor e saber que pode ser ainda mais devastadora quando por conta de um assassinato. Todo respeito, consideração e carinho à Dona Marinete.













Quantas reações diante da estátua. Sentimentos que dizem muito sobre cada conexão com Marielle. Sorrisos, lágrimas, olhares e punhos cerrados. Maneiras de dar vazão às emoções.





Tão bom quando a mãe gosta do amigo. Marcelo Freixo, professor e
(na época) candidato ao governo do Estado, chegou um pouco atrasado... mas ainda a tempo. Nunca é tarde demais para trocar afeto com pessoas que nos são especiais. Amar aqueles que quem amamos amam, também é um ato de amor.




Em sintonia com a essência do Instituto, dos presentes e da própria ideologia de Marielle, nada melhor que enaltecer a educação. A praça ressignificada em espaço de ocupação pública e transformada em uma grande sala de aula. Oportunidade para ouvir e refletir temas relevantes para todos que buscam viver conscientes em sociedade.



Uma mensagem abriu o aulão "A memória é a semente para um novo futuro". Em um mundo tão árido, onde as únicas árvores que floresceram foram as do esquecimento, desde a chegada dos africanos por aqui, lá de trás. Uma comunidade, assim como outras, conduzida por e para um apagamento histórico de suas próprias raízes e ancestralidades. Movimentos, como os idealizados por Marielle, foram e ainda são fundamentais para a preservação, manutenção e valorização desse legado que diz respeito a todos nós.



"O Brasil precisa amadurecer muito para entender o que representa a perda de Marielle Franco.
Não é só a Marielle, é um sonho de Brasil que a gente perde." Tainá de Paula

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